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Não basta aparecer, é preciso fazer parte das respostas

10 minutes ago
2 min read
trabalhar em computador

Não é novidade que todos mudamos a forma como pesquisamos conteúdos na Internet.

Durante anos, o Google foi quase sempre a nossa primeira escolha. Tínhamos uma dúvida, escrevíamos algumas palavras, abríamos resultados, comparávamos informação e construíamos a nossa própria resposta. 


Hoje, com a evolução das plataformas de AI, perguntamos ao Claude, Manus, ChatGPT (...) o que devemos escolher, pedimos que nos explique um conceito, que compare duas opções ou que nos dê uma recomendação. E, se a resposta não fizer sentido, fazemos outra pergunta. Damos contexto. Corrigimos. Continuamos a conversa.


Para mim, esta mudança é mais do que uma evolução tecnológica. É uma mudança na forma como nos relacionamos com a informação.


Quando recebemos uma lista de resultados, sabemos que ainda temos de fazer o trabalho de pesquisar, selecionar e interpretar. Quando recebemos uma resposta construída em linguagem natural, temos a sensação de que parte desse trabalho já foi feito por nós.


E é aqui que entra uma questão que considero cada vez mais importante: a confiança.

 Uma resposta clara, contextualizada e segura pode transmitir uma sensação de proximidade. Quase nos esquecemos de que, por detrás daquela conversa, existe uma tecnologia a interpretar informação e a gerar uma resposta.


Enquanto profissional de marketing, é precisamente esta mudança que mais me interessa.

Durante anos, uma grande parte do nosso trabalho passou por perceber como aparecer nos motores de pesquisa: SEO, palavras-chave, títulos, estrutura de conteúdos, autoridade.


A lógica era relativamente simples, alguém pesquisa, o Google apresenta resultados e queremos estar entre eles.


Mas o que acontece quando alguém deixa de procurar uma lista de resultados e passa simplesmente a fazer uma pergunta? A experiência muda.


Em vez de vários websites para analisar, podemos receber uma resposta construída a partir de diferentes fontes. Algumas marcas podem aparecer nessa resposta, outras podem simplesmente ficar de fora. 


É aqui que surge um novo desafio para o marketing: não basta criar conteúdo para ser encontrado, é preciso criar conteúdo que seja relevante, credível e suficientemente claro para ser compreendido. É neste contexto que começamos a ouvir falar de GEO, Generative Engine Optimization.


Se o SEO procura otimizar conteúdos para motores de pesquisa tradicionais, o GEO procura torná-los mais acessíveis e relevantes para motores de resposta baseados em Inteligência Artificial. Não vejo isto como uma substituição do SEO, mas como uma evolução. Não acredito que devamos começar a escrever para a Inteligência Artificial em vez de escrever para as pessoas. Continuamos a escrever para pessoas. Mas as pessoas continuam a fazer perguntas e podem fazê-lo no Google, no ChatGPT, nas redes sociais ou diretamente a uma marca.


O canal muda, a necessidade não.


Continuamos a querer respostas úteis, claras e em que possamos confiar.

Talvez esta seja uma das maiores mudanças que a Inteligência Artificial está a trazer ao marketing, já não estamos apenas a disputar posições nos resultados de pesquisa, mas sim, cada vez mais, a tentar fazer parte das respostas.


E talvez a nossa maior preocupação já não deva ser: “Como apareço?” Mas sim “Se alguém perguntar pela minha área, a minha marca vai aparecer? O que é que existe sobre a minha marca que vale a pena responder?”

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