Eventos não são para toda a gente e isso é uma coisa boa!

Há uma ideia que parece fazer sentido quando pensamos em eventos que é “quanto mais pessoas conseguirmos atrair, melhor.”
Mais inscrições. Mais participantes. Mais pessoas a falar sobre o evento.
Mas será que um evento precisa mesmo de ser para toda a gente?
Quando tentar falar com todos faz-nos perder o foco
Vivemos num contexto em que as marcas procuram constantemente chegar a mais pessoas. E, muitas vezes, essa vontade de aumentar o alcance acaba por tornar a comunicação demasiado abrangente. Uma mensagem que tenta falar para todos, no processo, deixa de falar verdadeiramente com alguém.
E nos eventos, acontece exatamente o mesmo.
Um evento não é apenas um espaço onde juntamos pessoas num determinado momento, é uma experiência construída à volta de uma determinada identidade, interesses e expectativas. E quanto mais claro for aquilo que o evento representa, mais fácil é para alguém perceber: “Isto é para mim.”.
O posicionamento também se vive
É aqui que entra o posicionamento.
Um evento sobre tecnologia não precisa de interessar a quem não tem qualquer relação com o tema. Um encontro para profissionais de saúde não precisa de ser pensado para chegar ao maior número possível de pessoas.
Uma experiência de marca não precisa de agradar a todos para ser relevante. Pelo contrário.
Quando sabemos para quem estamos a comunicar, podemos tomar decisões mais coerentes: desde a linguagem, aos conteúdos, ao ambiente e à própria forma como as pessoas vivem o evento.
E isso também muda a experiência de quem participa.
Porque quando sentimos que um espaço foi pensado para pessoas como nós, existe uma maior possibilidade de identificação. Encontramos pessoas com interesses semelhantes, reconhecemo-nos nos temas abordados e percebemos que fazemos parte de alguma coisa.
Participar ou sentir que pertencemos?
Talvez seja essa uma das diferenças entre participar num evento e sentir que pertencemos a um evento.
Por isso, nem sempre o objetivo deve ser encher uma sala, é mais importante que as pessoas certas estejam dentro dela.
Uma audiência mais pequena, mas verdadeiramente interessada, pode gerar mais conversa, mais relação e mais impacto do que uma audiência maior que não encontra naquele espaço uma razão para estar.
No fundo, um evento também comunica aquilo que uma marca é. E, tal como acontece com qualquer marca, ter uma identidade clara implica perceber que não podemos ser tudo para todos.
Não significa que temos de excluir pessoas, apenas temos de saber escolher quem é o público certo. Escolher quem queremos envolver, que experiência queremos criar e aquilo que queremos que as pessoas levem consigo quando o evento termina.
Talvez um bom evento não seja aquele que consegue chegar a toda a gente e sim aquele em que as pessoas certas chegam e pensam: “Isto foi feito para mim.”.
“If you try to be everything to everyone, you’ll end up being nothing to anyone.” — Peter Fisk



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